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| * RABISCOS POÉTICOS & CIA * |

SAUDADES DE MINAS GERAIS
Saudades das Minas, das montanhas gerais. Azuladas, horizonte largo, um sol que queima a pele. Saudades do piuí do trem, do uai, de gente de alma sincera. Lá aprendi a ser quem sou, lá germinou em mim o que tenho de melhor. E às vezes aqui, tão longe das minhas raízes, penso que sou pela metade. Aqui minha vida, lá meu coração. Como posso viver dividida? Saudade dos amigos que se mudaram para tantos lugares que nem sei, das minhas ausências de medos, do cheiro de pão saindo do forno. Minas não é um estado, é um país inteiro dentro de mim. É um mundo cheio de diversidades, de sotaques, de maneirismos e mineirismos. Tem gente que canta, compõe versos, faz serenatas! Minas não é algo que se traduza em palavras, traduz-se em gestos. Gestos fraternos, amigos, abraços, fogão a lenha, risadas, violão, café, pão de queijo e luas cheias. Cada poro meu inspira o cheiro das montanhas azuladas. Minas da minha vida, um dia eu arrumo minha mala e volto pro seu seio. Mala vazia, peito cheio de esperanças de reencontrar a minha voz de adolescente que lá deixei um dia. Sou pedra de minas, sem lapidar e vou me lapidando entre as esquinas da vida. Tenho mãos de pele fina, mas amo meu povo que trabalha o barro e sinto inveja das suas mãos calejadas. São mãos que transformam a ressequidão do vale do Jequitinhonha em obras de arte. Artes que estão em galerias de todo o mundo e o povo nem sabe, nem se importa, continua amassando o barro, queimando a escultura e ganhando seu vintém. Preciso ir, ah sim preciso, dar ao meu povo um pouco mais de mim, por que tudo que tenho no peito são canções que de lá eu trouxe. Saudades Minas, um dia eu volto, volto sim. E aí, serei novamente inteira: copa e raízes juntas, fincadas nas terras das gerais, da minha doce Minas Gerais.
By Claricce Storch
Teófilo Otoni-MG, minha terra natal, é a
Capital Mundial das Pedras Preciosas.
Escrito por Claricce Storch às 20h46
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NA SUA JANELA...
Penso na beleza viva dos contos de fada,
penso nas fadas vivas que matamos em nós.
Penso no canto triste do pássaro na gaiola.
Pergunto, quem nos dará asas para voar?
Asas de fada para brincar pelo ar
soltando pós mágicos, criando amores.
Asas de pássaros para ir longe
abraçar amigos, beijar flores.
Beija-flor que vai no vento encontrar,
amigos que eu não posso alcançar.
Fada, anjo, beija-flor, imploro, levem minhas mensagens de amor.
Veja, na sua janela, ali estou !
Pouso como fada, anjo ou beija-flor,
levando nas asas um suave canto de amor.
By Claricce Storch

Beijos Cheios de Ternura !
Escrito por Claricce Storch às 21h44
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NEGAÇÃO
Me pedem silêncio
quando quero falar.
Me pedem atenção
e não me vêem.
Me pedem que opine
mas não me ouvem.
Me pedem carinho
e me agridem.
Me pedem para ser mulher
e me tratam como bicho.
Me pedem palavras doces
e me ferem com atitudes.
Me pedem...Me pedem...Me pedem...
E sequer sabem se doar !
By Claricce Storch
29/11/1997
Uma Excelente Sexta-Feira Para Todos!
Escrito por Claricce Storch às 06h21
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UM NOVO MUNDO
Não me explicaram quando criança que amar alguém era algo difícil. Não me ensinaram nas escolas a lidar com perdas, frustrações, decepções. Me ensinaram química, mas não a química dos corpos ou a falta dela. Me ensinaram matemática, mas não me ensinaram que nem sempre dois é mais que um na vida de um casal. Me ensinaram português, mas não me disseram que as palavras continham espinhos. Não posso entender por que nas escolas não nos ensinam sobre a vida: sobre sentimentos, amores e dores. A gente cresce sem crescer direito e aprende vivendo, caminhando torto, se machucando e machucando o outro. Tenho esperanças que um dia, as crianças de todo o mundo tenham aula de bem viver, de bem querer, que vivam em ternura. Aí sim, vou acreditar que a nossa vida será muito mais do que linhas obscuras. Vamos sentar e falar do que vai dentro da gente, sem medo de ser criticado, julgado, discriminado. Vamos ter peito livre para amar, por que o mesmo não estará confuso, difuso, dilacerado. È este meu sonho permanente: desejar que aprendamos mais sobre gente. E hoje o que chamam de utopia, talvez venha a ser a vida um dia. As escolas precisam ensinar sobre vida; precisamos não de professores mas de mestres, mestres da alma humana. Que tempo será que o mundo acordará? Que tempo é este que não entendemos do que nos vai na profundeza da alma? Solidões conjugadas em sociedades capitalistas e desnecessárias. Quero a comunhão entre pessoas. Sinto saudades do cheiro da lenha que não senti...do bonde...das casas sem muros...dos roseirais. Minha alma é sonhadora e ainda terei uma casa branquinha, redes na varanda, um violão e vozes. Pessoas reunidas simplesmente vivendo a vida. Precisamos de algo mais ?
By Claricce Storch
Agradeço a todos o carinho.
Beijos Ternos !
Escrito por Claricce Storch às 07h43
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REENCONTRO
Só. Olho minhas mãos em concha e vejo que por entre meus dedos alguns partiram. Não se despediram, e fiquei inerte com as minhas mãos em pedras. Peço que me dê um minuto para lhe dizer o que vai no meu peito, do que não disse ou não fiz direito. Deixe-me dizer do meu amor, do meu querer tão bem, da minha dor. Silêncio. Lágrimas. Saudades.
Olho o céu e com as minhas mãos paradas, curvo-me diante de Deus que me resgata. Neste momento rasgo os céus como uma águia, num frenesi de dor, amor e reencontro. Reviro-me no vento, caio e subo aos céus. Atravesso sob os montes, os universos todos nada são diante deste meu bailar. Sou pássaro por instantes, pois preciso te encontrar. E meu vôo é tão intenso, tão voraz que saio dos meus pensamentos reais e plaino, sobre tudo e sobre mim. Suplanto a dor da sua ausência com meus olhos humanos fechados e sendo pássaro a voar. Neste vôo, entre pássaro e gente, entendo que estamos muito mais presentes um no outro do que tantos seres viventes. E ao descer á terra como sou de fato, guardando minhas asas de águia nas minhas entranhas, escuto uma voz que diz: “O meu reino não é deste mundo”. Entendo a minha finitude e a minha missão. De passar por esta terra e deixar minhas mãos não em conchas, mas estendidas para o outro. E acabo por descobrir, que não há mais vazio. Existe sim agora, uma presença permanente do que você é, foi e será dentro da minha íris. Enquanto eu viver viverá através de mim e nunca mais quero ouvir, a palavra fim.
By Claricce Storch
Um beijo terno a todos !
Escrito por Claricce Storch às 03h27
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MELODIA DA VIDA
Eu ando distraída buscando melodias que me invadam a alma e deitem em mim. Czardas, quisera entrar-me nas suas entranhas e tornar-me nota nesta melodia. E nos seus momentos de delicadeza extrema transpor-me ao balanço de uma rede apenas. Quando seus acordes soarem mais efusivos poder correr na grama em rodopios. Sendo nota somada a outras notas poder ser orquestra que soa em cada canto da casa. Sim, ouçam a música e se façam em nota : Dó, ré, mi, fá, sol, lá...........
Lá no infinito de cada um têm sempre um novo acorde para tocar. Czardas, quisera eu ser mesmo uma melodia com a singeleza de um pássaro no céu. Mas humana que sou, sonho. E no meu sonho entro na música e faço parte deste concerto. Vidas...notas...instrumentos...maestro. Juntos registram grandes sentimentos. Melodia da vida que há dentro de mim que se esvai e retorna a nota dó. Fim.
By Claricce Storch
Desejo uma semana com doces acordes para vocês !
Beijos !
Escrito por Claricce Storch às 01h34
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