Escrito por Claricce Storch às 18h18
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“Que país é este?”
Não tenho mais voz para falar do egoísmo humano que nos impetra violências na alma, no corpo e nos nossos lares. Não tenho mais ouvidos para escutar palavras insólitas dos nossos governantes que tripudiam da fome e da miséria de um povo.
Não tenho mais voz, ouvidos e coração para me sentir misturada a tanta violência.
No entanto, escrevo e neste ato de desprender-me da dor, um pássaro canta no jardim. Canta seu mesmo canto, com sua melodia que não pede nada em troca. No galho da árvore brinca, colore o verde das folhagens e apenas vive cumprindo a sua missão :- de cantar, voar e espalhar pólen. Espalhar vida.
E eu...atônita com meu peito em chamas, novamente silencio. Cerro os olhos e busco no silêncio, ouvir novamente o canto do pássaro. Por que ele não canta novamente? Calamos. Agora tentarei tirar meus pés do chão, ouvir a voz de DEUS e voar, como o pássaro. Mesmo sem voz, direi ao mundo: - Eu quero Paz!
Não esta paz fingidora que se esconde atrás do luxo, das noites cheirando a álcool dos bares. Mas a paz que nos permite sair de madrugada pela rua e tomar banho de chuva. A paz que nos permite deixar nossas portas abertas e ver nossas crianças entrando por elas com suas pipas, pedaços de qualquer coisa nas mãos como se possuissem o mundo!
Quero abrir a porta da casa, da alma e viver como gente. Neste momento o pássaro cantou novamente. Ele entendeu a minha angústia. Só quem sabe viver em liberdade é que pode entender verdadeiramente o que significam os grilhões humanos.
Voa Kátia, em busca de um ninho. Que seja distante de tudo, mas que inexista o medo. Voa...em algum momento recuperará sua voz.
Kátia Storch
Pela segunda vez em menos de dois meses, ladrões entraram na casa do meu pai. Esta é minha forma de dizer o que sinto, pois me falta voz para lidar com a maldade humana. Nada aconteceu a ele, mas é meu pai, único e insubstituível.
“Que país é este?”
Escrito por Claricce Storch às 10h13
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