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| * RABISCOS POÉTICOS & CIA * |

CHUVA FINA
Cai uma chuva fina, que delicadamente beija as folhas e o chão.Cai uma pétala em desalinho, no meio da escuridão. Águas de chuva são mais do que pingos,são ouros gotejando o mundo.
Cai chuva sobre meu rosto,
escorre pelo meu corpo...
lava-me a alma sob este céu ditoso.
E eu, rodopio sem cantar para não acordar os anjos. Rodopio sem parar!
Ah, chuva, que balançar
é a minha vida neste molhar.
Cai chuva fina em todo o mundo e em mim. E eu continuo a rodopiar, esquecendo o tempo que segue a passar. Sorrio, pois penso que vou voar
e esqueço que não possuo asas.
Num último rodopio na madrugada, caio entregue no chão. Molhada, cansada, ardente de sede pela madrugada. Vê pois que não tenho nada, nada mais que meu próprio corpo!
E no entanto, minhas mãos
molhadas, frias e enrugadas
são puro êxtase por serem amadas.
Cai chuva sobre o meu rosto, fina chuva...
levando todos meus desgostos
nesta beleza encantada.
Agora sim, posso dormir sossegada,
com cheiro de terra
e de ser amada.
By Kátia Storch
Escrito por Claricce Storch às 04h09
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FANTÁSTICO!
Hoje estava assistindo aos Jogos Olímpicos de Inverno (Turim-Itália) na Sportv. Competição de duplas de patinação artística (no gelo). Inúmeras, de países diversos. Eu absorta com a capacidade de sincronismo, leveza, força dos atletas. Simplesmente fantástico! Depois de várias apresentações cada uma mais comovente do que a outra, vão se apresentar a última dupla. Um casal chinês. A apresentação começou e logo a gente se contagia por toda aquela expressão corporal. Logo no início , em um movimento onde o rapaz joga a moça para o alto, ocorre uma fatalidade. Ele a lança para o alto e ela leva um tombo enorme, onde começa a se contorcer de dor. O público deve ter ficado os primeiros segundos como eu, sem respiração. Apresentação interrompida! Anos de treino jogados fora! Ela sai apoiada por ele, o público começa a aplaudi-la. Ela visivelmente com dor, abaixa a cabeça, respira fundo e para deslumbre de toda a platéia ela retorna mancando para o meio da pista de patinação. Aplausos, inúmeros, angústia. Será que irá conseguir? Ela dá umas pequenas voltas como se alongasse a musculatura e o show recomeça. Simplesmente foi indescritível como ela conseguiu fazer todas aquelas acrobacias, com tanta expressividade e sentindo dor. Medalha de prata para a dupla de acordo com os técnicos, medalha de ouro de acordo com toda a platéia. Ali estava um ser humano determinado a não decepcionar aquelas milhares de pessoas que gritavam por ela. Ela também não queria perder a oportunidade de anos de treinamento. Se ela desiste, o colega também perde a oportunidade. O seu país, o técnico, a família, os amigos, todos de alguma forma sofreriam. Então ela decidiu voltar. Antes se olhou e deve ter dito pra si mesmo “eu posso!” e deu o melhor que podia. Creio que se ela se perguntasse “será que eu posso?” não teria conseguido fazer daquele momento algo tão emocionante e tecnicamente “quase” perfeito. Jamais vou esquecer esta cena! Algo para assistirmos mil vezes e lembrarmos que podemos muito mais que acreditamos poder. Mas acima de tudo, ela não poderia realizar tamanha proeza se não fosse pelo apoio do seu parceiro. Por que nesta atividade não existe o melhor nem o pior, ambos se complementam e a junção deles é que fazem do espetáculo algo brilhante. É emocionante ver o poder da colaboração entre as pessoas. É este o mundo que almejo viver um dia. E vou aprendendo com alguns detalhes da vida, como esta cena em Turim, onde estas duas pessoinhas tão jovens que provavelmente jamais verei na vida me encheram o coração de esperança de dias melhores onde nós seres humanos seremos mais solidários e comprometidos uns com os outros. Inclusive eu. *** Na foto o casal em referência, Zhang Duan/Zhang Hao.
Beijos Ternos a Todos ! Da amiga, Kátia Storch
Escrito por Claricce Storch às 22h08
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