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Escola Summerhill

 

DISCIPLINA: VIDA

 

De alguns anos para cá, descobri que o tema “educação” (no sentido acadêmico mesmo) me interessa muito.  Fui quando criança uma aluna dispersiva por que era muito mais interessante brincar, rir do que olhar para o “quadro negro” (que na verdade era verde). Depois de adulta foi mais fácil ficar sentada olhando o “quadro branco”, as “transparências”, slides, etc  e me interessar pelos assuntos ali desenvolvidos. Fácil depois de ser “gente grande”, gostando de ler e estando onde queria, fazer o que tinha que fazer de forma bem feita.

 

Dentro de todos estes anos escolares fico tentando me lembrar de um único professor que tenha me ensinado algo mais do que o conteúdo da sua própria matéria. Até em “Filosofia” era aquele tecnicismo que acompanha os livros didáticos e ponto!

 

Acho que as dores da vida me fizeram mais observadora e menos atuante do que era. Uma contradição, em um momento que precisamos de gente que vá a luta!

 

Nestas andanças observei uma lacuna monstruosa na forma que somos “educados”. Aprendemos nas escolas sobre tudo (História, Português, Geografia, Matemática, Física, Química etc e na faculdade disciplinas relacionadas à área que você escolheu) mais aprendemos quase nada sobre a vida. Afinal, os professores também não aprenderam enquanto alunos, como viver bem o que se pressupõe antes de mais nada, se conhecer.

 

Sim, aprendemos a fazer amigos e outros até inimigos; aprendemos também que notas podem te colocar “pra cima” ou “pra baixo” diante de todos em um segundo e ninguém sabe quem é você de verdade. Ninguém sabe o que você sente ou o que vai dentro de você. E quando muito novo, nem você mesmo sabe.

 

Mas não aprendemos de verdade a viver! Não nos ensinam a disciplina de como lidar com as perdas, frustrações, amores quebrados, separação dos pais, brigas familiares, mortes, agressões verbais ou físicas e que uma boneca quebrada não é apenas “mais uma” boneca quebrada; é a “filhinha” de uma criança e ela precisa aprender a lidar com esta perda. A “tia” vai dizer “sua mãe vai comprar outra” e uma hora a criança pára de chorar. :o( Mas vai aprendendo que é esta a maneira de viver: - substituindo, trocando seus “afetos” e não enfrentando que houve uma perda mas que a vida se encarregará de dar-lhe outros “afetos”. Não o afeto comprado, imediatista mas aquele que acontece naturalmente.

 

Assim crescemos, aprendendo apanhando ! A sociedade quer gente feliz, todos queremos, mas os consultórios psiquiátricos e psicológicos estão lotados, cada vez mais. Não sabemos lidar com os revezes da vida, a discutir sobre as relações de amizade, amor e familiares sem que isto torne um martírio. E quando os impactos acontecem, vamos usando nossa capacidade intuitiva ou perceptiva para agir ou reagir diante de determinadas situações. E erramos por que tem tanta coisa que não compreendíamos e achávamos certo no entanto... E muitas vezes, era uma escolha feita baseada apenas na emoção, mas uma emoção que nos tolhe o direito de sermos felizes e tentarmos a todo custo obter do outro o que não temos em nós.

 

Minha sobrinha de 15 anos, a Luíza, está vivendo seu primeiro amor. Tudo que ela sente é um turbilhão de emoções indecifráveis para ela, pois tudo é novo, diferente: - prazeroso e assustador ao mesmo tempo. É a paixão que faz os dias ficarem coloridos por demais e que se por um dia seu objeto de amor não aparece, logo os dias ficam acinzentados. E eu? Tento “passar” para ela o que aprendi, mas aprendi sofrendo e por pouco não mino seus sonhos com a idéia de que um amor de 15 anos geralmente não dura para sempre. Imaginem vcs, eu, observadora que me tornei e não sei dizer à minha menina o que fazer com tantas emoções. Me esforço para compreendê-la, ajudá-la e até sugiro livros (tsc tsc tsc) já que me falta a competência para entender e dizer a ela sem ferir, que o amor ás vezes é mesmo imprevisível. Então, mais uma vez, assisto a uma cena de vida de uma adolescente (que é minha filha de coração) que não estuda nada na escola sobre a vida enquanto se desgasta sobre inúmeros livros “didáticos”que na hora do “aperto” pouco a ajudará. Mas ainda bem que nas escolas já falam sobre cidadania, meio ambiente, responsabilidade social etc . A minha esperança é que em breve a Filosofia saia dos livros e entre na vida dos alunos. Aí sim, vamos ver gente feliz! Se amando, se conhecendo e ajudando o outro e a si mesmo a serem melhores pessoas.

 

Estou sonhando??? Se estiver, não me acordem!

 

 Beijos ternos,

 

Kátia Storch

 

FOTO: ESCOLA SUMMERHILL. Conheça clicando AQUI !



Escrito por Kátia Storch às 22h41
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